Novas Alices | Maria Ienke: Meus vinte e poucos anos

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Meus vinte e poucos anos

26 de fevereiro de 2013


Ontem estava voltando para casa, de ônibus. Atrás de mim, sentaram três jovens de uns 15 ou 16 anos. Faziam brincadeiras sem graça, o garoto chamava a garota para ir na casa dele "conhecer a sogra" e ela ficava se fazendo de difícil. E eu pensando, "que papinho idiota!"

Mas quanta hipocrisia, né? Até os meus 20 anos, eu fazia brincadeiras do mesmo tipo e sem a menor graça. Eu queria aparecer, fazia de tudo para chamar a atenção e fazia caras e bocas nas fotos que iriam para o avatar nas redes sociais. E nos meus 16 anos nem se fala! Queria aprender a andar de skate e mudar o mundo, cheia de conceitos e rebeldia. O mundo não mudou, mas eu mudei. Isso já fazem 10 anos, e o que mais me dói é que não vi esse tempo passar. Onde foram parar as músicas e os cd's que eu escutava? Onde foram parar as revistas que eu lia? As roupas que eu usava? Os ideais? As fotos que eu tirei? O que foi que eu perdi, Vida? Para onde você levou tudo aquilo que eu tinha?

Essas são perguntas que só quem fica velho faz. Eu posso não ser velha. Mas eu não tenho mais 16 anos como aquela garota do ônibus. Naquela época eu só queria ser feliz, fazer tudo que eu tinha vontade, voltar para a casa a hora que eu quisesse, deixar para estudar amanhã e comer salgadinho com coca-cola no recreio. Eu queria, queria muito. Eu só sabia querer.

Hoje a vida quer de mim. A vida exige coisas que eu não sei como fazer, mas que eu tenho que fazer. Eu preciso decidir a profissão que eu quero ter, e preciso fazer isso hoje, porque amanhã talvez a vida não me dê uma chance de escolher. Eu preciso casar, ter uma casa própria, ter filhos e estudar tudo sobre tudo. Porque tudo sempre está mudando e eu preciso me manter atualizada sobre todas as coisas. Eu preciso ver o noticiário, porque agora eu sou adulta. E nas únicas horas de folga que eu tenho, assisto a um filme ou leio um livro, mas sempre pensando nos meus deveres de amanhã. Porque o amanhã sempre está na minha cabeça.

É impossível viver um dia após o outro. É preciso deixar tudo preparado, porque amanhã eu posso não ter mais forças ou tempo para fazer o que eu deixei para trás. E quando começam as dores nas costas e nas pernas, é a hora em que eu mais tenho que trabalhar. É a época em que mais se trabalha para ter algo, mas a que menos se ganha dinheiro.

Aproveitei ao máximo a minha vida, fiz uma faculdade, fiz vários cursos, aprendi coisas, perdi coisas, fiz coisas, acertei algumas, errei em outras. Mas a sensação é de que ainda não fiz nada, e que preciso fazer antes dos 30, porque depois tudo isso vai perder o sentido. O que virá depois? Eu prefiro não saber o que vem depois. Mas por favor, Vida, passa mais devagar? Só um pouquinho!

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5 comentários:

  1. Ai, texto lindo, mas quase chorei aqui ;-;
    Realmente a vida ta passando rápido demais e talvez seja por isso que eu continuo tentando desacelerar o processo, pintar o cabelo de colorido e encher o quarto de brinquedo, afinal por mais babaca que seja, a melhor fase da vida é a infância e adolescência. E nossa que papo de velha, realmente u.u

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  2. Ok, tenho 20, e ja estou pensando assim!
    Mas entre os 14 e 17 foram a melhor epoca!!! Pintar o cabelo toda semana de uma cor diferente, achar radical chegar em casa 3h! Ir para matine e se sentir HAHAHAHAHAHA

    corre tem resenha nova!!!
    kisses;*
    http://www.facebook.com/Closed24h
    instagram: biaszfarias

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  3. Que texto maravilhoso Maria!
    Me sinto EXATAMENTE da mesma maneira, e passei por uma situação bem parecida, também num ônibus, e tirei a mesma conclusão que você. E depois me deu uma saudade absurda de fazer escândalo no ônibus e de pintar o cabelo de rosa (né? ♥). Amei seu texto, mesmo.

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  4. Eu ainda não estou me preocupando com isso não. Estou praticamente na casa dos 20 e torço para que seja os melhores anos da minha vida, que eu possa aproveitar tudo o que eu não aproveitei nos anos anteriores. Achei legal seu texto!!

    http://www.feitoporelas.com

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  5. Eu vivo escrevendo sobre os dramas de ter 20-e-alguns anos e não saber exatamente o que quero da vida.. mas sei lá. Acho que ´da pra viver um dia de cada vez, sim. E acredito muito que lá pros 30 as coisas vão ser mais calmas hahaha

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