Novas Alices: Os lenços e o câncer: Conheça a história da Desirée

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Os lenços e o câncer: Conheça a história da Desirée

10 de novembro de 2015

Hoje o post vai ser um pouco diferente! Vocês vão conhecer a história da Desirée, que foi minha professora na faculdade de Jornalismo e que hoje eu considero uma grande amiga! No início do ano, ela foi diagnosticada com câncer de ovário. Apesar do sofrimento, a história dela é de superação e otimismo, um grande exemplo de mulher! Já a admirava antes, agora mais ainda, e acredito que vocês também vão passar a admirá-la ou até mesmo se identificar coma história dela! Eu pedi para que ela mesma escrevesse um texto especialmente aqui para o blog, ela topou, adorou a ideia e o texto ficou incrível! Então, pega o lencinho e senta, porque a história é linda e emocionante! Ela também fez um ensaio de fotos, que ficou maravilhoso e eu usei para ilustrar o post! :)



"Ainda lembro que na virada do ano, eu, Carol, Vitória, Luís, minha mãe e meu irmão estávamos na praia, pulando as sete ondas e fazendo os pedidos pra 2015. Na verdade não lembro dos sete pedidos, mas lembro que entre eles eu pedi saúde pros meus filhos, mãe, pai e irmãos. Não pedi nada pra mim. Afinal, nunca tive nada mesmo! Nunca precisei fazer uma cirurgia, nunca quebrei um osso sequer. Só fui parar em um hospital pra ganhar meus filhos! Ah! Porque pedir saúde, né? Eu queria um amor, sucesso na profissão, dinheiro, essas coisas. Pois é! Mas, já no comecinho do ano, eu sentia algo estranho: barriga sempre inchada, aquela sensação de quem comeu demais, um cansaço extremo e uma cólicazinha bem chata. Dá-lhe Buscopan! Deitava um pouquinho e já melhorava. Só que aquela cólicazinha começou a ficar mais frequente, mais forte. E a barriga? Nooossaaaa!!! Já estava bem grandinha! Logo eu, que ia pra academia todos os dias, era aula de Zumba, bike, GAP! O jeito foi procurar um médico: exames disso, exames daquilo, até que através de uma ressonância, apareceu uma massa estranha no útero e ovários, e era por isso que a barriga estava crescendo. Nessa época, já sentia dor e dificuldade pra andar (eu andava rastejando). Com o laudo da ressonância na mão, minha mãe ligou pro médico em Curitiba, e de imediato: "Desirée, venha amanhã e traga uma mala, porque você vai pra cirurgia!!!"

A descoberta

"Permitam-me apresentar: Meu nome é Desirée Larocca Estevam, sou mãe da Carol, do Luís e da Vitória. Tenho 39 anos, divorciada e moro em Ponta Grossa/PR. Fui professora da Maria no curso de jornalismo e hoje somos amigas. E foi através do convite dela que vou contar minha história de luta nesse 2015.

Em fevereiro desse ano, fui diagnosticada com câncer de ovário. Para encurtar um pouco a história, vou falar que, meu histórico familiar e a descoberta da doença com a minha mãe, em 2012, me levaram a fazer um exame de sangue pra descobrir se eu portava a tal "herança" genética. Essa é a única semelhança entre eu a Angelina Jolie (hahahaha)! Então, desde 2012, venho realizando um acompanhamento médico para prevenir o desenvolvimento da doença ou detectá-la logo no início. Meu último check up foi em setembro de 2014 e em janeiro de 2015 descobri que já estava doente.

O negócio foi enfrentar, não tive tempo de ficar pensando ou me lamentando, pois, de um dia pro outro, me vi fazendo a cirurgia. Retirei útero e ovários, e assim, grande parte do câncer. Bom, então voltei pra casa com um corte imenso na barriga, ainda me arrastando e com dez quilos a menos.


Nessa época, eu fiquei deprimida, não queria ver e nem falar com ninguém. A vontade era só de dormir pra ver se passava mais rápido. Teve muito choro, muita raiva. Achava tudo muito injusto! "Como que Deus deixou acontecer isso comigo no momento que eu estava na melhor fase da minha vida???"




A queda

Tava revoltada!!! Com o tempo isso foi passando, os amigos começaram a me visitar, e eu não ficava mais de pijama o dia inteiro. Então, comecei as sessões de quimioterapia e veio a tal preocupação com as reações e a queda do cabelo. A médica falou dos enjoos, da fraqueza, mas o que me preocupava mesmo era a queda do cabelo. Lembro perfeitamente quando ela falou: "Seu cabelo começa a cair a partir do 15º dia após a primeira sessão de quimioterapia." Lógico que eu fiquei contando, né? Cada vez que eu ia pentear os cabelos, eu olhava na escova para ver se eles já estavam caindo. Então, para tentar amenizar o impacto, cortei o cabelo, comprei uma peruca e peguei vários lenços que eu já tinha e outros que minha mãe usou quando ela fez a quimio. Mas, foi na Páscoa, enquanto eu estava na casa da praia, que eles começaram a cair, ou melhor, despencar. Tinha cabelo por todos os lados, era horrível! Eu resisti por alguns dias, até que chamei a Lara, minha cabeleireira, para passar a máquina e me livrar daquela situação. Pronto, eu não tinha mais cabelo!

Também fui ficando sem sobrancelhas, sem cílios e sem aqueles pêlos da região ali debaixo. Sabe quando você olha no espelho e se acha parecida com uma lagartixa? Foi bem assim que eu me senti quando me olhei no espelho. Sorte que existe a maquiagem! No começo, eu usava peruca direto, comprei uma parecida com o meu cabelo e então as pessoas não notavam a diferença. Só que esse negócio de peruca me incomodava muito, eu tinha a preocupação dela estar torta, de um vento forte a arrancar, essas coisas.


Daí a opção foi usar lenços, ou "os panos", como dizia a Carol. Sempre usei lenços coloridos, brincos grandes, anéis e maquiagem. Tinha dias que me sentia uma cigana, de tanto badulaque! Mas o pessoal gostava, até elogiava. Diziam que combinava comigo! Ah, e outra coisa, eu sou aquela pessoa que adora uma selfie, então todos os dias eu postava uma selfie usando lenço! Foi nesse momento que eu fui perdendo o medo da doença e encarei de vez!



A superação

Sair de lenço na rua, mostrava que eu tava enfrentando tudo aquilo com bom humor. Muitas pessoas têm vergonha de falar que estão em tratamento de quimioterapia, de falar que estão com câncer. Acho que isso deve influenciar muito na recuperação e no enfrentamento da doença. Não queria que as pessoas tivessem dó de mim, sempre fui corajosa! As sessões de quimio foram acontecendo. Tinha dias que eu tinha enjoo, no outro falta de apetite, no outro cansaço e assim ia vivendo. A comida ficava sem gosto. E como sou eu quem faço o almoço, às vezes caprichava no sal e ninguém conseguia comer (rsrsrs)! Fiquei expert em sucos também, isso ajudava a passar o enjoo. Inclusive, o gengibre era ingrediente essencial. Já quase no final da quimioterapia, eu fiz um ensaio fotográfico careca e usando lenços. Na verdade, eu estava me sentindo um pouco pra baixo e feia.

A ideia era dar uma levantada na autoestima, e deu tão certo, que o pessoal do Hospital Geral de Curitiba viu minhas fotos no site do estúdio, e convidou a fotógrafa para realizar uma exposição de fotos usando as pacientes da oncologia como modelos! 

Essa exposição aconteceu no Outubro Rosa! Eu também postei algumas fotos no meu Facebook, o que chamou a atenção de muita gente. Meu face bombou (hahaha)!!! Fui convidada para participar de um programa de tv em uma emissora local e também participei de uma reportagem sobre uma campanha de doação de lenços e recentemente, dei uma palestra para alunos de um colégio estadual aqui de Ponta Grossa. Tudo envolvendo o tratamento de câncer! Nunca falei sobre os sintomas, os métodos de prevenção, etc. Isso eu deixo para os profissionais da saúde. Eu queria mostrar que a pessoa em tratamento continua viva, bonita!
Já que temos que encarar essa doença, que seja com bom humor, alegria, otimismo e sempre muito bem maquiada e arrumada! A beleza de uma mulher está no brilho do olhar, no coração alegre, na alma cheia de luz. Cabelo é só uma moldura! 


Hoje fazem três meses que terminei as sessões de quimioterapia. Meu cabelo já está crescendo, estou com um corte do tipo "Elis Regina". Já até passei uma cor neles, pois nasceram meio grisalhos (rsrsrs!) Deixei de usar lenços. Mas eles continuam lá, guardados em uma caixinha e logo voltarão a serem usados. Dessa vez, e novamente, na cabeça da minha mãe, que através de exames de rotina, descobriu que a doença voltou. Mas, vamos juntas, eu e ela, enfrentar tudo isso com otimismo bom humor e força! Não me considero um exemplo para ninguém, mas procuro ser cada dia melhor para mim mesma. Beijos!"

♥ O texto foi escrito pela Desirée e as fotos do ensaio foram feitas pela Ana Paula Sant'Ana Art Photo.

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9 comentários:

  1. Decidi criar oficialmente a #DespiréeCrieUmBlog haha. Acho necessário de mais pelo menos tentar lutar contra o cancer, apesar de toda dor. A minha mãe mesmo, repreendido, mas ela diz que se um dia tiver câncer nem vai tentar lutar contra. O que gera constante debate entre nós...

    http://somaisumapaginamae.blogspot.com.br

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    1. Imagina que legal seria, né Maria? Ela escreve super bem, ia arrasar no blog! <3

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  2. Uau, que história linda e emocionante quanta guarda. Deus abençoe a sua vida Desirée, e assim como você venceu sua mãe também irá.

    Beijos

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    1. Assim seja, Camila! Desirée já supera muita coisa e agora merece toda felicidade do mundo! <3

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  3. Quando eu era bem pequena, minha avó foi diagnosticada com câncer no cérebro, e esse tipo de tumor é impossível de operar, então dá-lhe quimio. O cabelo dela era imenso, porque muito antes de eu nascer ela tinha feito a promessa de nunca mais cortar, então ali tinha bem uns 20 anos de cabelo! Mas não tem outro jeito né? No caso dela eram chapéus ao invés de lenços, ela não saía de casa sem um chapéu bem florido na cabeça!
    Agora, se você me perguntar, mulheres com o cabelo raspado são tão estilosas que me dão raiva D: eu sou bem dessas loucas que ainda vai passar a máquina só pra ver como fica. A partir daí tudo vira questão do bom humor e de como você convive com a situação. As pessoas enxergam o problema na sua cara, não no seu cabelo, então usar e abusar do sendo de moda pra dar um up no visual é ótimo, porque aproveita e dá um up no bom humor também!

    Sentimentaligrafia

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    1. Com certeza! Dá um up na autoestima!!! Você pode sofrer ou tentar levar a situação da melhor forma possível, e como não tem como fugir, a segunda opção é difícil, mas é lindo de ver tantas mulheres guerreiras, um exemplo para todas nós!

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  4. uau, me emocionei com esse texto!
    A Minha avó ela teve três tipos de câncer diferente e uma das melhores amigas da minha mãe está enfrentando isso nesse exato momento. E essa parte de encararem de bem com a vida, de se sentirem bonita, de querer seguir em frente é lindo. Tem dias que a gente desiste de tudo por coisas tão bobas, e elas chegam lindas, enfrentando uma doença e com um sorriso no rosto. É um exemplo, e são lindas <3

    Beijos,
    rodoviadezenove.com.br

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